quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Observação.

Eu não sou uma pessoa boa com as palavras e tenho certeza que nunca vou ser. Minhas amigas(os) escrevem bem melhor que eu, então, por favor, me entendam sobre todo esse negócio de ficar escrevendo por aí. Eu gosto e tento, mesmo que minhas tentativas fracassem na maioria das vezes.
Desculpem se eu não sou aquela que tira 16 na redação. HAHAHAHAHAHAHA.

Obrigada. :)

Tipo, uma música preferida?


“Eles dizem que nós garotas, somos como músicas bonitas, como
 canções inesquecíveis! Você nunca pensou em mim como uma melodia que você gosta...?”

- Fala de Lucy para Schroeder, no episódio 
"Lucy ama Schroeder"




Começou com eles conversando sobre o tema daquela redação de vestibular que ela prestou.

- E eu escrevi uma carta. – ela sorria satisfeita.
- Falando sobre “A importância da música na vida das pessoas”?
- Sim. – ele a olhava curioso.
- Deixe-me adivinhar: Você era uma cantora brava com a sua produtora de CD's, porque não se importa em vender os CD's - o contrário da sua produtora -, mas fazê-los com o coração e fazer deles a música de verdade?
- Não.
- Como, então?
- Ué, escrevendo sobre a importância da música na vida da pessoa. Da música na vida da pessoa.
- Como? – questionou novamente sem mudar a expressão.
- Falando da música, mas não aquela música qualquer, mas a música mesmo. Aquela. Aquela que marca a pessoa, a que não sai dela.
- Tipo, uma música preferida?
- Podemos dizer que sim. Foi mais uma carta romântica. Da pessoa pra música.
- Foi... ãhn, personificou a... música?! – as sobrancelhas començando se juntar no meio da testa.
- Exatamente. A música como pessoa. E pessoas são importantes para outras pessoas. Só não tenho certeza se elas vão aceitar muito bem a minha idéia.

Ele ficou quieto, com um careta de interrogação.

- Você não entendeu, né? – riu - Qual a importância da música na vida das pessoas? Da música – disse apertando os braços dele e os sacudindo – na vida das pessoas, na vida de todos?

Ficou quieto.

- Na minha vida?! – questionava-o com delicadeza nos olhos e se remexando muito para falar aquela parte. – Ah, agora você tem que entender!
 
Ele ficou sem responder, olhando confuso para ela. Ela prosseguiu.

- Está bom, eu explico. – parou por um segundo - Não importa. Que seja desde a voz estridente da Janis Joplin a voz super grave do Louis Armstrong, daquela guitarra fritada do Iron Maiden ou do piano do Chopin. A música é importante na vida das pessoas, na minha vida, - e muito, diga-se de passagem -, porque você é a minha música! A música com os arranjos mais coloridos, com a melodia mais doce, com as notas mais macias, com o tom que tem o seu perfume. Você é tudo isso. - sorriu tímida - Eu escrevi uma carta minha para você, por isso eu não tenho certeza se eles vão aceitar muito bem. - parou novamente, tomando um jeito mais informal - Mas bom, eles não específicaram o que queriam como música, então eles não podem reclamar, deixei bem claro que você era a música. E eu expliquei a importância.

Ele ficou ainda parado, sem palavras.

- Mas enfim, não faz mal, você não precisa dizer nada! Você não viu aquela redação e nunca vai ver, tudo bem, a única coisa que eu quero é que eu seja a sua música também. Não ligo de ser aquele sertanejo brega, mas que até tem a letra bonitinha. Eu não ligo nem de ser seu instrumento. Faz de mim o seu violão, sua guitarra, sua bateria, o piano que você toca tão bem. Desde que o seu som saia de mim, aquela melodia que você mais gosta. Você não precisa falar nada, eu só quero ser.

Ele ficou quieto de novo e sorriu.

- Citar o sertanejo estragou todo o seu monólogo romântico.
- Idiota. – xingou com um sorriso.

Ele a abraçou.

- Você é e sempre foi a melodia que eu mais gosto. Você é aquele violão por qual você se apaixona antes mesmo de botar as mãos. E então, quando você finalmente o toca e vê o som lindo que sai dele... – suspirou, olhando firme nos olhos dela -  Você é isso, você é mais que o piano que diz que eu toco tão bem, é mais que a minha melodia.
- Eu sou a sua música predileta?
- É a uma das faixas finais, aquelas que ninguém chega a escutar direito. Mas eu escutei. Escutei e gostei tanto que apertei "loop", agora ela fica tocando sem parar.

Ele continuou.

- É a minha composição inteira, com as cordas, teclas, sopro, voz e percussão.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dia oito.


Aquela sensação de protegida, quando ele coloca o braço em volta de seu ombro, não igual aqueles outros caras que querem mostrar que estão com suas “minas”, o ‘braço em volta do ombro’ dele era diferente. O sorriso que desenhava em sua cara toda vez que ficavam fazendo piadas infames e brincadeiras idiotas, com os pés para o alto, sem se preocupar com muita coisa além do fato de estar feliz por ter ele ali. Aquela coisa sem nome que chegava estourando tudo por dentro quando fazia tempo que não o via (ou não) e se lembrava dele por ter lido a letra de uma música, alguma parte de algum livro, visto um pedaço de filme, ou apenas por ter lembrado mesmo. Aquele calor que parecia queimar a pele quando ele a segurava mais forte e o calafrio que subia pelas costas quando ele chegava perto demais. As interjeições e as poucas e curtas frases soltas sob o cobertor e o sussurro falhado pela falta de fôlego. A companhia sentada no banco na beira da praia de manhã. Aquele pensamento de ‘se alguém me visse agora, pensaria em como eu sou bobinha’ que vinha em sua cabeça toda vez que lia alguma mensagem dele no celular. O, tão súbito, aumento das batidas de seu coração quando entrava na internet e encontrava alguma coisa que ele escreveu pra ela em seu monitor. A sensação que percorria a sua cabeça, quando ele a abraçava, que nunca poderia ser substituído por ninguém. Ela gostava de todas essas sensações bobas que tanto lhe arrepiavam a pele e deixavam-na feliz. Gostava até mesmo só de sentir que ele estava lá do lado, como às vezes quando iam aos cinemas, com sua cabeça encostada no ombro dele, se deixava levar fechando os olhos e esquecia de prestar atenção no filme.

Essa felicidadezinha que ele causava tão facilmente. Com poucas palavras, com poucos gestos, ou até ausente de tudo isso. Para que ela precisaria de tanto, se o que importava mesmo para ela, bem no fundo, era ele apenas, sem nada a mais pra acrescentar?


 Às vezes ela pensava se ele realmente sabia de todas as coisas que passavam na cabeça dela em relação a ele. Porque ela não era daquele tipo que falava, daquele tipo de “declarações públicas de amor”. Ela nunca falava, mas tentava passar tudo aquilo quando sorria ao vê-lo, ou quando fazia aquelas coisas de fechar os olhos quando assistia a filmes. Coisas como a do sorriso, seriam fáceis de reparar, mas coisas como a última, ele não via e estas ela sabia que ele nunca saberia a não ser que algum dia contasse – e talvez ele também fizesse algo de modo semelhante, como os beijos que dava na cabeça dela toda vez que essa apoiava a cabeça em seus ombros. Mas o problema para ela era que ele não veria essas coisas tão pequenas e tontas que para ela mostrava uma alguma coisa, e ela queria que ele percebesse. Ou talvez ele percebesse e ela que era boba. Mas queria ter certeza. Talvez ele não reparasse que sempre quando estavam sentados, de mãos dadas, ela sempre olhava a mão de ambos enquanto acaricia a dele com os dedos;  que quando andavam e reparava nas passadas iguais que davam, direita, esquerda, direita, esquerda, achava divertido; que quando conversavam ela ria olhando as milhões de gesticulações que ele fazia com a mão, como se elas complementassem todas as suas falas; que sabia diferenciar quando ele sorria de feliz, de vergonha, de idiota, ou aquele sorriso pra fingir que não estava sorrindo ou com vontade de sorrir.

Não, talvez ele nem percebesse essas coisas meio não-notáveis e pequenas demais que ela fazia. Isso a deixava um pouco, digamos, ansiosa, achando que ele nunca saberia de quanto ele significava pelo simples fato dela não ser boa em demonstrar as coisas em grandes gestos, ou em pequenos, ou em gestos de qualquer forma. Ela também não falava, não apenas por não ser daquelas que falavam, mas também porque era do tipo que tinha vergonha. Não sabia do que e nem ao mesmo porque, só sabia que tinha. Talvez por ficar com as bochechas avermelhadas tão facilmente ou por nunca conseguir dizer coisas bonitas – e racionais - quando estava olhando tão diretamente para aqueles malditos olhos verdes dele.


Tudo isso por causa do que aconteceu naquele primeiro dia oito. Agora ela ficava feliz quando chegava qualquer dia oito, não importava de qual mês era.


sábado, 7 de fevereiro de 2009

O pequeno cacto infeliz.

O pequeno cacto infeliz vivia sozinho na imensidão do deserto
e sentia vontade de abraçar a todos, mesmo não tendo um porquê ao certo.
Ele estava disposto, apesar de sua tão peculiar aparência,
a dar amor a todos que chegavam, mas vivia em constante carência.

Cruelmente sozinho, no gigante mar de areia, estava fadado a ficar,
mas confiante e otimista, sempre sonhava em um dia alguém abraçar.
Havia raras aproximações de pessoas, com as quais ele logo se animava
e deixava a todos assustados, sempre quando a sua feliz presença manifestava.
Todos com uma expressão de choque pelo feito esquisito e espantoso
fugiam com medo e certos de contar a história do cacto monstruoso.
Várias pessoas voltavam até onde o pequeno cacto estava a morar
para poder ver para crer e conseguir em seu mito acreditar.

As pessoas continuaram a visitá-lo, mas sempre a duvidar
que no deserto haveria um cacto que gostaria de alguém abraçar. 
E como sempre quando tentava dar um abraço todos desatavam a correr,
o pobre cacto chorava e, lamentando sob o Sol, desejava morrer.
Mesmo querendo amor e carinho, vivia em solidão
pois amedrontava todos e colocava a coragem de qualquer um em questão.

Ninguém gostava desse seu hábito ou de se sentir espetado por milhões de agulhas,
então destinado a viver assim o pequeno cacto estava.
Com a sua eterna vida de lamúrias.
"Quero ser igual  Tim Burton", ou pelo menos um tentativa (idiota e provavelmente fracassada) disso.

Oyster Boy Steps Out




For Halloween,
Oyster Boy decided to go as a human.



♥ Tim Burton

The Boy With Nails in His Eyes

The Boy with Nails in his Eyes
put up his aluminium tree.
It looked pretty strange
because he couldn't really see.


♥ Tim Burton