Graciliano Ramos.
terça-feira, 31 de março de 2009
muito lençol pra lavar.
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como outro falso; a palavra foi feita pra dizer."
domingo, 29 de março de 2009
Quero mudar as palavras.
Eu odeio que as palavras tenham em um significado fixo. Posso entender e saber o significado das palavras, mas querer dar outro sentido a elas. Posso precisar usar uma numa hora, mas não gostar do som que ela produz e preferir usar que possui sentido contrário. Uma é mais bonita, outra soa melhor. Gosto mais de umas que de outras.
Adoro 'piegas' e odeio 'lousa', pior só quando pronunciam 'lôsa' - mesmo que eu mesma pronuncie assim. Botão, pode ser de roupa, pode ser de flor e gosto dessa também. Palavras tão bonitas que às vezes seriam perfeitas para se colocar em minhas redações e textos que crio na cabeça, mas que não teriam sentido se postas pois não teriam o sentido certo.
Quero poder escrever o que quiser, como quiser e independente se faça sentido ou não. Ter sentido é subjetivo. Para mim pode ter sentido, o mais lindo do mundo.
Não preciso escrever coisas bonitas, só para as pessoas lerem e falar que está legal.
Fazer redações me revolta e odeio ser obrigada a escrever quando não quero. Ok?
quarta-feira, 11 de março de 2009
Ter sentido é subjetivo.
Insanidade pouca é bobagem. Sonho pouco é bobagem.
Se eu vou sonhar, eu vou sonhar alto. Um dia quem sabe tudo se realiza.
Havendo sentido, ou não.
terça-feira, 10 de março de 2009
É tarde!, é tarde!, é tarde!.
"mas eu não quero ver gente maluca!", disse um dia Alice pra mim. tarde demais, Alice.
podemos encontrar a lebre, mas ela também é maluca.
ó, mas que... (hunf) oras!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Untitled.
"How many lives do we live? How many times do we die? They say we all lose 21 grams... at the exact moment of our death. Everyone. And how much fits into 21 grams? How much is lost? When do we lose 21 grams? How much goes with them? How much is gained? How much is gained? Twenty-one grams. The weight of a stack of five nickels. The weight of a hummingbird. A chocolate bar. How much did 21 grams weigh?"
Ah, ver Milk fez minha paixão pelo Sean Penn reacender.
E se o Beirut pode ter uma música com o nome do post, eu também posso - mesmo não tem licença poética, assim como a professora (Maria) Rita falou.
domingo, 8 de março de 2009
O que é o amor?
- Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir... Acho que isso é amor.
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir... Acho que isso é amor.
Ah, adoro Peanuts. :)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Você não sentiu, por isso não acredita.
É porque as pessoas não estavam lá. Estar lá no meio da multidão e olhar para ela fazendo todas aquelas danças e caretas tão lindas. Éramos só um grupinho de amigos, mas nós sentimos. Sentir faz toda a diferença, talvez ninguém acredite em nós porque eles não sentiram.
Ficar no meio das pessoas e sentir que ela olhou para você, que ela sabia o que nós sentiamos. Que ela nos entendeu tanto que parecia que conversava com olhos, dizendo: "Ei, eu sei quem são vocês. Eu reconheci. Tudo bom?" e depois nos imitar. Até choramos.
Ter sentido nós dá a certeza. E ainda pela segunda vez.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Eu não sou bipolar.
Mas tenho problemas com bipolaridade. Não aquela que estou rindo e rindo mais quando de repente caio em prantos, aquela que a pessoa tem que tratar com remédio. Eu tenho uma bipolaridade alternativa e esse é um dos meus maiores problemas. Tem hora que eu amo e tem hora que eu odeio, tem hora que eu rio junto e tem hora que tenho vontade de bater na cara gritando: "Porra! Pára com essa merda!'.
E você não entende que eu não consigo escrever se ficam me pedindo. Se eu não quero escrever um texto pra você, caralho, eu não vou e não fica em cima falando como é "relaxo" não ter nada pra você! Se não escrevi é porque não consigo, já que no momento quero te mandar à merda. Como você quer que eu faça algo bonitinho? Melhora esse jeito e cara de bosta, então.
domingo, 1 de março de 2009
Da unidade vai nascer a nova idade.
Talvez você nunca leia isso, mas vamos ficar muito mais felizes sabendo que você tem isso em mãos, já foi um enorme desafio conseguir te entregar. Certo. Agora estamos aqui, com a adrenalina e emoção ainda correndo pelo corpo inteiro, cantarolando as suas músicas, fazendo todos ao nosso redor cansarem de ouvir sobre você e imaginando se você está lendo isso.
Quando descobrimos que você ia voltar para cá, queríamos que você ficasse em casa pensando, “Será que aqueles adolescentes vão estar em Campinas de novo?”, porque nós realmente nos perguntamos se você lembra do seu último show aqui (em Souzas dia 22/08/2008) e principalmente se lembra de nós. Se nos reconheceria pulando e gritando no meio do imenso público do seu show, fazendo aquele gesto com a mão. Nos perguntamos se quando você saiu do palco e fez aquela mesma coisa, foi por nossa causa, porque éramos os únicos fazendo aquilo na multidão. E a nossa resposta é sim, acreditamos nisso mesmo. Ficamos muito felizes achando que foi para gente e que quando você apontou para nós cantando “Da unidade vai nascer a
nova idade, da unidade vai nascer a novidade...”, foi realmente para nós e não alguma coisa aleatória para se relacionar com o público.

Roupas de Maria Rita, gestos de Maria Rita, músicas de Maria Rita, danças de Maria Rita, expressões de Maria Rita. Manias, brincadeiras, falas que criamos por sua causa, por causa de suas músicas e mais ainda pelo seu show, que nos marcou tanto. Esperamos que tenhamos te marcado do mesmo jeito, nem que por cinco minutos lendo essa carta feita tão nos garranchos. Esperamos também que você saiba que gostamos de você muito, mais que imagina, por mais estranho que pareça vindo de quatro fãs tão bobinhos que você nunca mais vai ver na vida.
Você é linda. Acredite que estamos falando isso com toda sinceridade do mundo e não só sobre a sua aparência, mas você inteira como pessoa, como mulher que vive, que ama, que canta e nos encanta. Gostamos de você sem ter uma razão ao certo, ou talvez, por várias razões que não entendemos e não sabemos explicar. Só gostamos e somos loucos para te ver ao vivo, esse mínimo de contato já nos basta.
Se falamos essas coisas todas com tanta fé, é porque realmente acreditamos que vamos fazer a diferença para você através dessas palavras tão bagunçadas e cheias de emoção jogadas num papel. Somos felizes e realmente acreditamos ter arrancado um sorrisinho seu quando chegar no final dessa carta.
Nenhuma das nossas palavras (querendo ser) bonitas seriam suficientes para você, que as canta tão bem, então, desculpe-nos por sermos tão tolinhos. E você pode voltar quantas vezes quiser para Campinas, bonita, que vamos estar aqui para te assistir.
Teu samba não despreza o esquisito. :)
Patricia, Marina, Camila e Davi.
carta para Maria Rita que entregamos no show.
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