Eu não sei, mas estou com vontade de escrever. Não sei se vou ter coragem de mandar para você, não sei nem se vou postar. Quem sabe eu te mando uma carta com isso, posso mandar umas fotos junto.
Sempre quando vejo no jornal que no Rio Grande do Sul vai fazer muito frio imagino você usando aquela sua luva, seu cachecol azul e aquela sua jaquetona que você sempre levava pra Etecap. Acho que na verdade essas roupas são poucas, mas tudo bem, seu sorriso esquenta Porto Alegre.
O seu sorriso, a sua risada, a sua voz gritando "Sua vaca filha da puta!". Suas palavras de mãe pra me confortar, a sua calma quando eu entrava em pânico, sua pressão pra me fazer jogar basquete direito. Seus passes de bola só depois que eu ficava brava no handball. Seu abraço sem abraçar, porque você sabe que nos meus momentos frágeis se alguém me abraça eu começo a chorar descontroladamente. O abraço que você dava quando via que eu precisava de verdade. As suas canetas recicladas dentro daquele estojinho de metal, junto com o lápis e aquela caneta pequininha que você não deixava eu roubar. O meu chaveiro da Alemanha que eu não deixei você roubar. Allstares velhos e furados e tênis verde. Azul e mar. Tartarugas. Brincos - a falta deles na verdade. A aventura que foi furar a sua orelha com o brinco de madeira da Fer. Sentar lá no pátio I, perto do Aquário e ficar falando das coisas - às vezes mal, às vezes bem, às vezes nada com nada. Você sentada atrás de mim, sempre, e chamando: "Patê". Me dando um tapa nas costas, porque o professor estava me encarando enquanto eu conversava com alguém e eu não tinha visto. Olhar para você com cara de "estou me irritando com as pessoas", você fizer a sua cara de quem entende e passando a mão no meu ombro. Lhamas, corridas contra o tempo e jogo dos sete erros com elas. Viveiros, malditos viveiros. Guerra de bexiga d'água. Seminários e seus socos porque eu estava falando rápido demais. No aniversário que eu ganhei o allstar, eu não estava me importando com a cartas das outras pessoas, eu só queria ler logo a sua - eu fiquei feliz com o vale carta/bilhetinho. Lily Allen. Mika. Kate Nash e sua vozinha cantando as músicas dela. Você cantando quando estava estressada demais ou meio chateada, mas não queria mimo na hora. Não tocar Birds. Mímica de filmes. Apontar para língua, fazer que não e apontar para você. Marmiteiro, cantina e chocolates de aveia. Eu como salgados e penso em você quando sobra um último pedaço da massa. Yann Tiersen e aquela música que eu amo. Você é a única pessoa que eu conheço que também coloca Yann no mp3 e anda de ônibus escutando. P de Pati, número 51 - pinguça. Dança das cadeiras. Indiezinha. Better, da Regina.
As coisas ainda me lembram você, muitas coisas, e todas elas me dão um aperto no coração. Todas elas me lembram o quanto eu te amo, mesmo que na hora certa eu não soube demonstrar. Agora perdi a chance de dizer ao vivo, com um abraço apertado e debaixo do choro, o tanto que eu te amo.
Tudo isso aqui ainda está muito vago, talvez fosse só a necessidade de te escrever algumas coisas que faziam força pra sair de dentro de mim. Nem soube explicar tudo direito, nem sei o que eu quis dizer. "And not being able to articulate what I want to say drives me crazy. I think i should try and read more books and learn some new words" (Kate Nash, porque ninguém me lembra mais ela do que você).
They don't love you like i love you.
The end.