sábado, 28 de novembro de 2009

Palavras não falam.

Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música e nem pra preencher o branco dessa página linda. Eu me entendo escrevendo e vejo tudo sem vaidade, só tem eu e esse branco. Ele me mostra o que eu não sei e me faz ver o que não tem palavras.
Por mais que eu tente, são só palavras; por mais que eu me mate, são só palavras.
Só palavras.
Mariana

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Como um quadro bonito,

que eu nunca percebi que era bonito. entendeu?
é como um perfume. você tem vários e muitos deles usa todos os dias, exageradamente, mas sempre tem aquele que fica mais no fundo do armário. você usa um dia, duas semanas depois, fica três semana sem usar, usa mais um dia, pega os outros, usa aquele de novo. ele nunca foi uma coisa constante, sempre lá escondidinho - presente, mas escondido.
um dia você pára. sente o perfume deles e os reorganiza. seu armário está (e sempre foi) uma bagunça. então você encontra aquele, é aquele, aquele com um pouco de pó em cima. dá uma espirrada no braço. inspira. se apaixona. como você nunca tinha percebido como gostava daquele cheiro e por que não aproveitou para usa-lo mais vezes se ele tinha um cheiro tão bom e te fazia sentir tão bem? é como se fosse isso.
você foi como aquela brisa gostosa que alivia o calor do verão, mas de repente virou um vendaval e está bagunçando meus cabelos. que bom que eu não ligo de ficar despenteada e é uma pena que eles não fiquem tão bonitos como os seus. são os cones que me deixam ver as cores quando na hora só me aparecem bastonetes. é o meu propício nervo vestibular que me abraça às vezes.
Cá entre nós: eu tenho dito. você é como os Quadros bonitos cheios de formas.

você é um quadro bonito que eu tenho vontade de colocar na parede da sala. entendeu a questã? e eu sei que está um pouco bagunçado e sem ligação, mas você já percebeu algum sentido nas coisas que eu digo quando grito as coisas para você?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Run, Lola, run. (II)

E quando não se tem mais a esteira? E quando não se tem mais como correr? E agora, Lola, run para onde? Você não correria de verdade, não sairia pela rua, não iria num parque para correr e se desestressar. E se você cansasse no meio? E se você passasse mal? Se a bateria do seu mp3 acabasse ou um fone parasse de funcionar? Como você ia voltar para casa? Andando de volta eu sei que não. Você tem medo, mas quer correr. Você marcha, José. José, para onde? O Iggy Pop está gritando na música que sai do mp3 e não pára.
Suas passadas cansadas de quem não quer mais correr, de quem não quer mais respiração ofegante. Seus pés não querem mais sentir o chão te empurrando para cima e não querem empurrar o chão para trás, mas agora a esteira não pára de andar. Você tem que andar, é só mais um pouco.
Muito ácido lático, pouco oxigênio e aquela dor na paturrilha que não cessa. Pode continuar correndo, eu sei que você quer apesar de toda dor e todo medo. Quer que eu corra junto com você? Eu faço uma massagem se der cãimbra e te seguro se começar sentir aquela pontada no tórax de correr demais. O povo sumiu, a noite esfriou. Eu te levo para casa se você achar que não tem ninguém - mas tem alguém, sempre tem, você que não vê. O povo não sumiu, não.
Na maior parte das vezes é você que cobra, sabia? Sempre acha que qualquer comentário é uma bronca ou um motivo para brigarem e te deixarem sozinha, mas não, você é que se cobra demais. Me responda, Lola: É por isso que você corre? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua incoerência, seu ódio - e agora? Seu medo? E agora que a esteira acabou? Como você vai correr? Para onde você vai correr? Para onde você quer correr? Você ainda quer correr?
Está acabando, Lola, é só olhar para frente. Você vai enxergar as coisas se olhar para frente, mas você sempre corre olhando para o chão. Respire fundo mais uma vez - Iggy Pop está gritando mais forte que você e ele ainda tem fôlego para outra música. Lola, para onde?


sábado, 7 de novembro de 2009

Motherfucker.

É incrível como você pode reconhecer o diretor do filme pela trilha sonora, pelo jeito em que os créditos iniciais surgem na tela, pelo modo como a imagem e o som combinam, pelas cores que ele usa, pelo humor e diálogos. Uma das coisas mais maravilhosas em assistir filmes do Tarantino é o fato de que você sabe que aquele é um filme do Tarantino logo que as luzes se apagam, como se fosse ele mesmo que as apagassem, como se ele mesmo projetasse o filme.

(quando virar cineasta vou te encontrar no Estados Unidos, vamos conversar, virar amigos e fazer vários filmes juntos. motherfucker.)


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Vômito de palavras.

Às vezes as palavras vêm sem frear. Batucam na sua cabeça e gritam inquietas, desesperadas até que se acomodem confortavelmente num papel ou escapem pelas pontas dos dedos em teclados quaisquer.

Mais menos.

Impulsividade, coragem, emoção, intensidade.
Todos deviam ter mais disso na vida, todos deviam ser mais desassossegados. Ser iguais aquela mulher do filme e ter insatisfação crônica das coisas. Não se saciar com o pouco, querer mais, ser mais, poder mais, reinventar mais.
Mandar um email para aquela puta amiga antiga, falar um 'oi' para aquelas pessoas com quem brigaram. Enlouquecer é bom, porque as pessoas não enlouquecem. Insanidade construtiva - quem não enlouquece nos dias de hoje, fica maluco. Dançar com sua confusão.
Dizer "eu te amo" olhando no olhos. Dar abraços apertados. Pintar seus desenhos com aquelas cores fortes que você sempre tem medo de combinar. Baixar aquele filme que você assistia quando era pequena, pegar a fita cassete e fazer uma sessão de filmes nostálgicos sozinha. Cantar bem alto aquela música daquela banda que você sempre teve vergonha. Ter conversas tensas e falar sem ter medo de você não sabe o que, você tem que tentar mudar - eu estou tentando. Está na hora de agir!
Chorar na frente dos outros sem ter vergonha, pode até desidratar se quiser, vai ter alguém para encher a sua garrafa d'água. Escrever sem pensar, não quero nenhum lirismo que seja libertação - ou alguma coisa do tipo. Falar com aquelas pessoas que você sempre teve vontade de falar, virar amiga delas e ter muito orgulho de você depois, porque você conseguiu cumprimenta-la no corredor. Tomar quantos copos de café quiser, com a hiperatividade de depois a gente lida e se ajeita. Conversar bêbado com as pessoas, dar umas risadas a toa e falar coisas que não deveria falar. Step on the momeraths se quiser, foram só as placas que disseram que você não pode fazer isso.
Impulsividade, coragem, emoção, intensidade. Traz mais uma dose, essa é por minha conta.
Acho que eu preciso de mais desassossego.

Do lado de fora.

Do lado de fora o que você vê?
Você vê as formigas no chão, carregando os farelos do salgado que alguém derrubou e as bitucas de cigarro mal apagadas que ficam mais vermelhas quando o vento sopra.
Você olha o prédio e vê as janelas. Encontra algumas com cortinas, algumas sem, algumas aberta. Vê uma senhora bem velhinha olhando para fora e pensa para onde será que ela devia estar olhando. Fixa o olhar para a mesma direção e vê as ruas cheia de carros, imagina que ela está esperando o filho que vai visita-lá; ou está, quem sabe, não olha para fora, mas para dentro lembrando do marido que já morreu.
Você olha para a mesa e percebe as marcas dos copos de café, das latas de refrigerantes, das garrafas d'água récem enchidas que colocaram lá em cima. Você vê os carros subindo a rua tão rápidos e alguns buzinando e xingando. As pessoas erguendo a mão para os ônibus e mais algumas dentro desses cansadas de ficar em pé.
Você olha bem para frente e vê os passarinhos voando em bando para algum lugar mais pra longe - estão indo para casa, foi sempre isso que disseram para você quando era pequena. Você consegue enxergar uma abelha ali e um mosquito ali, bem perto de umas plantas. Você, com sorte, vê um beija-flor roubando uns selinhos de alguma flor toda bonita. Você vê as nuvens e dá uma saudade de ficar descobrindo formas e desenhos, então você fica fazendo isso por um tempo.
Você olha para a janela de novo e aquela senhora não esta mais lá, quem sabe o filho já chegou, ou o marido acordou da soneca da tarde. Dai a música que saia pelos seus fones de ouvidos acaba e você decide que já é hora de voltar para dentro também.