sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Menina bochechuda.

Eu gosto de falar no telefone com você e como minha orelha fica queimando depois - mesmo que eu não seja das que mais gosta de falar no telefone - e eu gosto de ir na sua casa - é aqui tão pertinho, isso é bem bom. Eu gosto de ficar no seu quarto falando de tudo e falando nada, ouvindo você falar com sua vozinha fina de menininha. Gosto de subir as escadas do seu prédio mesmo que eu fique toda com a perna doendo quando chego no seu andar - tudo bem, eu acabo me acostumando logo. Tem o seu todo verde e cheio de mil sapos, aquela sua caixinha de pano cheia de livros bonitos e pode deixar eu devolvo o seu logo, viu? Prometo. E eu não ligo que não tenha uma foto comigo no seu painel, não se preocupa em ter que tirar uma não, tá bom?
Não sei, mas você é toda cheia de força, menininha, e toda cheia de idéias também. Você tem um jeitinho especial e eu adoro quando você usa ele e põe um pouco de Anne, Clarice e você nos seus textos. Você sonha tão bonito.
Também não sei porque você odeia as fotos com o seu sorriso, porque ele é igual de criança. Eu rio da sua tendência para ser soprano, mas adoro quando você dá aquela risada fina ou quando você fala as coisas muito de uma vez e rápido. É engraçado ver você contando as coisas e mexendo a mão muito e é estranho agora você estar no terceiro ano - veterana!
Você é uma caixinha de surpresas e eu encontro algo novo em você a cada dia mais que a gente conversa e se vê. Foi divertido quando eu fui te mostrar os sebos e você me levou no SESC. Tudo bem eu ficar comendo e bebendo o dia inteiro da próxima vez também? Temos que lembrar de guardar dinheiro para comprar uma porção de batata frita igual aquele menino do hamburguer! E pode deixar que eu seguro você quando a gente for em pé no ônibus de novo; eu me equilibro e dou uma mão para você segurar em mim.
É proibido entrar ou eu já posso? Você roubou aquela placa, então eu acho que posso, né? A gente pode jogar presidente de novo um dia? Eu passo ai de novo, mas só me faz um favor: não me faz ficar em pé nas varandas de dez mil metros.
Ah, e fica prestando atenção, ein? Porque agora que eu sei que você consegue ver minha casa do terraço, um dia eu saio na rua, ergo meus braços e grito: "Bixeeete!".

domingo, 10 de janeiro de 2010

De dentro do bolso.

Sairam do filme e foram andar. Talvez não fosse grande coisa, faziam isso sempre, mas para ela era realmente uma grande coisa; ficar ao lado dele, de mãos dadas, enquanto falavam qualquer coisa e riam era tudo que ela queria aquele dia. Ela estava com saudades e ele tentava disfarçar. Será que ela ouvia? O barulho vindo do bolso e o outro vindo do coração que batia sem parar? Será que ela tinha visto quando saiu do banheiro e estava com elas na mão? Devolveu-as rápido para o bolso da calça escondendo o pacote. Ela não tinha visto, tinha? O som era tão alto e ele tentava falar mais alto, disfarçava os passos desengonçados que fazia para elas não fazerem tanto barulho. Ele disse: 'Vamos sentar aqui um pouco...', e logo ela pensou: 'Hmmm, ele vai fazer alguma coisa.' Não que soubesse o que ele iria fazer, não que tivesse escutado ou visto algo, mas suspeitava que aquela hora teria alguma surpresa. Mas os beijos dele logo a fizeram esquecer as coisas, ela não ligava para mais nada toda vez que ele a beijava. Ficaram juntos por um tempo e a menina só se deu conta das coisas a sua volta quando as luzes apagaram de repente. Nesse momento o rapaz se ajeitou e começou a falar: 'Ok, eu vou parar de enrolar, porque eu acho que vou ter um ataque cardíaco daqui a pouco. E eu sei que eu já te perguntei isso antes, mas...'. De dentro do bolso ele tirou um pacotinho escondido com todo cuidado.
Como se ela já não estivesse sorrindo, como se seus olhos já não estivessem brilhando só por estar do lado dele. Se ela não estivesse olhando para baixo, para mão dele e para o pequeno embrulho, ele veria seus olhos brilharem mais e o sorriso abrir mais um pouco. Ela não tinha escutado nada vindo do bolso, ela não tinha visto nada quando saiu do banheiro, ela disse que sim e aquela tinha sido umas das melhores surpresas que ela já teve.

Baseado em fatos reais.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010