Viver em república é ter uma outra família particular. Ter novas irmãs mais velha que às vezes dão uma de mãe e que você sabe que pode confiar como se fossem melhores amigas de infância. É saber ouvir os conselhos sábios de quem já passou pelo que você está passando. É poder chegar chorando em casa e receber um abraço sem ter que explicar nada e saber que no final de semestre existem pessoas tão irritadas e cansadas quanto você.
É, também, usar o banheiro de porta aberta e não esquecer de tirar o cabelo do ralo. Ter que escrever seu nome nas comidas da geladeira e não deixar a louça na pia - por muito tempo. Lembrar de pegar a roupa limpa e não deixar um amontoada na cadeira.
É ter um lugar para poder voltar quando você está na rua, é seu lugar de aconchego. É lembrar que mesmo não morando mais na casa dos pais, você tem que avisar alguém que não volta para casa para ninguém ficar preocupado. É lembrar que tem mais gente para comer mesmo quando você está morrendo de fome.
Saber que você pode passar mal e que terá pessoas para cuidar de você e saber que você terá que cuidar das pessoas quando elas passarem mal. É se estressar para pagar as contas. É ter alguém mais velho para te ajudar na matéria e ter paciência para ajudar a próxima bixete que entrar.
É ficar ouvindo histórias de suas veteranas e imaginar como será que serão as suas. É ter que descobrir tudo possível da sua casa para não ter que levar trote. É levar trote, porque você é bixete. É ter alguém para te riscar com canetão e mandar você colocar uma fantasia para sair de casa. É ter pessoas que mandem você estudar todas as verduras do mercado para te fazer questinários depois.
É ter que lidar com todas as manias das outras pessoas, e às vezes se irritar com elas mesmo assim. É ter que controlar as suas próprias manhas. Lembrar de devolver o dinheiro da caxinha e sempre ter um dia para jantarem juntas. É ter alguém para te acordar quando você está muito atrasada.
É se irritar e querer matar todas que moram com você, mas depois de quatro anos ter certeza que vai chorar quando for se despedir delas.
É tentar escrever um texto surpresa, mas nunca ter chances de terminar porque você não tem tempo e a cada segundo uma pessoa fica entrando no seu quarto para ver o que você esta fazendo.