Los Hermanos - Dois Barcos
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
A garota, seu piano e o gato preto.
Ambos andavam numa praça em um belo dia prestando muita atenção nos ladrilhos da calçada e sem prestar muita atenção nas pessoas, ou na maioria delas talvez. De relance, a garota reparou que numa trilha paralela a sua havia um gato preto te observando, mas continuou andando já que não gostava muito de gatos. Persas, siameses, amarelos, brancos, nenhum nunca havia chamado a sua atenção e nenhum nunca tinha parado para vê-la também. Os caminhos eram afastados e mesmo com ele longe, ela ficou surpresa pois foi ganhando afeição pelo gato. Até que logo à frente as trilhas se uniram.
Como em uma escolha mútua, como se bastasse apenas as trilhas dos dois se juntassem, ambos escolheram ficar juntos. E escolheram bem. Esse gato era diferente dos outros, era simpático, carinhoso, bonito e atencioso, daqueles que não fogem a noite e ficam com você só quando querem carinho no pescoço.
Na casa da garota, o gato logo correu até o piano andando de um lado para o outro em cima da tampa onde estavam guardadas as teclas. Ela achava que tinha perdido a chave, o piano era velho - tinha desde que se conhecia por gente - e nunca havia aprendido realmente a usá-lo, estava todo cheio de pó. Encontrou a chave com uma ajuda do gato. Destrancou-o. Tentou se aventurar a tocar alguma música, mas seus dedos de menina não sabiam nota alguma. Foi o gato, devagar e com as patas delicadas, que tocou uma música andando sobre aquelas teclas, amaciando-as, e a garota percebeu que mesmo sem entender nada e estar confusa com os sons, que havia amado aquela música.
O tempo passava e os dois ficavam juntos. O gato e a menina. A menina e o gato. E tudo era maravilhoso. Sempre muito feliz, a menina achava que assim era perfeito e não ligaria se fosse assim para sempre. Junto com ele aprendeu a tocar umas belas músicas.
Porém, de um dia para o outro, seu gato preto havia sumido. Desesperada, a garota não sabia o que fazer. Queria sair correndo pelas ruas a procura dele e gritar aos quatro ventos o seu nome, porém tinha medo que isso apenas o espantasse mais e tivesse medo de voltar. Às vezes de noite ia até a janela da sala e o chamava baixinho, e nos primeiros dias chorava angustiada quando ele não voltava. Ela precisava dele e amava a sua companhia, ainda mais quando com aqueles ombros levantados de negro gato andava por cima do seu piano formando músicas belíssimas. Com muito esforço, a menina resolveu deixá-lo ir. Pensava consigo mesmo e tentava se convencer de que ele podia estar mais feliz assim e que, um dia, ela também ficaria.
Há tempos o piano anda fechado e mais nenhuma música é tocada, apesar de se arriscar, a garota não sabe fazer isso sem o gato. Ela anda bem, mas ainda com um pedaço faltando. O seu problema não era não ter mais o gato em seus braços todos os dias para dar um beijo nele, - com isso tentava conviver - o problema de verdade era não poder mais abraçá-lo e depois se sentir bem com ele, esparramados no sofá sem fazer nada, enquanto ela contava todos os seus segredos, como havia sido o seu dia e ouvia os miados prestativos dele.
Como em uma escolha mútua, como se bastasse apenas as trilhas dos dois se juntassem, ambos escolheram ficar juntos. E escolheram bem. Esse gato era diferente dos outros, era simpático, carinhoso, bonito e atencioso, daqueles que não fogem a noite e ficam com você só quando querem carinho no pescoço.
Na casa da garota, o gato logo correu até o piano andando de um lado para o outro em cima da tampa onde estavam guardadas as teclas. Ela achava que tinha perdido a chave, o piano era velho - tinha desde que se conhecia por gente - e nunca havia aprendido realmente a usá-lo, estava todo cheio de pó. Encontrou a chave com uma ajuda do gato. Destrancou-o. Tentou se aventurar a tocar alguma música, mas seus dedos de menina não sabiam nota alguma. Foi o gato, devagar e com as patas delicadas, que tocou uma música andando sobre aquelas teclas, amaciando-as, e a garota percebeu que mesmo sem entender nada e estar confusa com os sons, que havia amado aquela música.
O tempo passava e os dois ficavam juntos. O gato e a menina. A menina e o gato. E tudo era maravilhoso. Sempre muito feliz, a menina achava que assim era perfeito e não ligaria se fosse assim para sempre. Junto com ele aprendeu a tocar umas belas músicas.
Porém, de um dia para o outro, seu gato preto havia sumido. Desesperada, a garota não sabia o que fazer. Queria sair correndo pelas ruas a procura dele e gritar aos quatro ventos o seu nome, porém tinha medo que isso apenas o espantasse mais e tivesse medo de voltar. Às vezes de noite ia até a janela da sala e o chamava baixinho, e nos primeiros dias chorava angustiada quando ele não voltava. Ela precisava dele e amava a sua companhia, ainda mais quando com aqueles ombros levantados de negro gato andava por cima do seu piano formando músicas belíssimas. Com muito esforço, a menina resolveu deixá-lo ir. Pensava consigo mesmo e tentava se convencer de que ele podia estar mais feliz assim e que, um dia, ela também ficaria.
Há tempos o piano anda fechado e mais nenhuma música é tocada, apesar de se arriscar, a garota não sabe fazer isso sem o gato. Ela anda bem, mas ainda com um pedaço faltando. O seu problema não era não ter mais o gato em seus braços todos os dias para dar um beijo nele, - com isso tentava conviver - o problema de verdade era não poder mais abraçá-lo e depois se sentir bem com ele, esparramados no sofá sem fazer nada, enquanto ela contava todos os seus segredos, como havia sido o seu dia e ouvia os miados prestativos dele.
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